sábado, 25 de outubro de 2014

Por que não devemos acreditar nas pesquisas eleitorais (sondagem de opinião)



Argumentos com base em exemplos: Os exemplos são representativos?

Mesmo um número elevado de exemplos pode não ser representativo do conjunto sobre o qual estamos a generalizar.

Um número elevado de exemplos de mulheres romanas, unicamente, estabelece muito pouco acerca das mulheres em geral, uma vez que as mulheres romanas não são necessariamente representativas das mulheres de outras partes do mundo.

O argumento precisa de ter igualmente em conta mulheres de outras partes do mundo.

Todos os meus vizinhos vão votar no Silveira para presidente.
Logo, o Silveira vai ganhar.

Este argumento é fraco porque um único bairro raramente representa a totalidade do eleitorado.

Um bairro próspero pode favorecer um candidato que seja impopular para a restante população.

Candidatos que têm regularmente êxito em círculos eleitorais estudantis de cidades aniversitárias não conseguem ter êxito em qualquer outro círculo.

Além disso, poucas vezes temos acesso a bons dados, mesmo no que respeita aos pontos de vista dos nossos vizinhos.

O conjunto de pessoas que colocam tabuletas ou bandeiras de propaganda política nos respectivos jardins e autocolantes nos respectivos automóveis (e cujos jardins se vêem das estradas principais e cujos carros circulam regularmente e/ou são estacionados em locais que dão nas vistas) pode não ser representativo do bairro como um todo.

Um bom argumento para «o Silveira vai ganhar as eleições» exige uma amostra representativa da totalidade do eleitorado.

Nao é facil construir tal amostra.

As empresas que realizam sondagens de opinião para determinarem resultados eleitorais, por exemplo, escolhem as suas amostras com muito cuidados.

Aprenderam com os erros.

Em 1936, a Literary Digest conduziu a primeira sondagem de opinião em grande escala, prevendo o resultado das eleições presidenciais ameri- canas em que se defrontavam Roosevelt e Landon.

Os nomes dos eleitores foram retirados, como ainda hoje acontece, de listas telefónicas, bem como de registos de propriedade automóvel.

O número de pessoas escolhidas não era certamente muito pequeno: apuraram-se mais de 2 milhões de intenções de voto.

A sondagem previu uma vitória por larga margem para Landon.

No entanto, Roosevelt ganhou facilmente.

Retrospectivamente, é fácil ver onde esteve o erro.

Em 1936 só uma pequena e distinta parcela da população tinha telefone ou automóvel.

A amostra era fortemente tendenciosa a favor dos eleitores ricos das cidades, a maior parte dos quais apoiava Landon.

Desde entao as sondagens melhoraram.

Apesar disso, há preocupações quanto à representatividade das suas amostras, especialmente quando são muito pequenas.

É certo que hoje quase toda a gente tem telefone, mas algumas pessoas têm mais do que um; muitas outras têm telefones que não vêm na lista; alguns números representam muitos eleitores e outros apenas um; algumas pessoas têm menos hipóteses de estarem em casa para atenderem o telefone; e assim por diante.

Logo, mesmo as amostras cuidadosamente selecionadas podem não ser representativas.

Muitas das melhores sondagens, por exemplo, falharam redondamente na previsão das eleições presidenciais americanas de 1980.

Logo, a representatividade de qualquer amostra é sempre incerta.

Antecipe este perigo!

Na formulação de suas idéias, procure amostras que representem toda a população a partir da qual está a generalizar.

Não faça um estudo estatistico apenas junto dos amigos ou vizinhos,  nem aceite argumentos baseados num estudo desses.

Um estudo acerca das atitudes dos estudantes, por exemplo, não deve limitar a amostra a, digamos, estudantes à saída do cinema numa sexta-feira à noite.

É necessaria uma amostra aleatória construída a partir dos nomes de todos os estudantes inscritos, e mesmo este método pode não produzir uma amostra inteiramente representativa